O cumprimento, o sorriso e o abraço são manifestações de cortesia conhecidas nas relações do homem no meio social. Cumprimenta-se com um simples movimento de cabeça, com um gesto, com um aceno. Cumprimenta-se, como antigamente, tirando-se o chapéu ou ligeiramente inclinando-se a cabeça.
Mestre Aurélio define o sorriso como movimento e expressão de um rosto que sorri, mostrando-se alegre, sorrindo um sorriso de satisfação.
“Quando sorrir, sorria com os olhos também”, recomendam os professores de relações humanas. Em artigo há pouco publicado, o jornalista Mendonça Neto lembrou o aforismo que diz: “Um sorriso vence montanhas.”
De fato, o sorriso desarma qualquer espírito, mesmo o mais angustiado, desesperado, sofrido. Que o diga a bem treinada e simpática atendente da recepção de um hospital de emergência médica.
Não se comenta aqui o sorriso falso, enganador, cínico, do mau político.
Apesar de o cavalheirismo estar fora de moda, nada se perde em praticá-lo, ainda que esteja alguém sufocado por uma forte emoção. O seu exercício cria o chamado clima de boa vontade em qualquer situação, seja em casa, no trabalho, seja na rua. O sentimento de empatia dá-se de imediato.
Refletindo sobre o abraço, disse D. Fernando Iório: “O abraço, sinal de afetividade e carinho, é capaz de ajudar o ser humano a viver mais tempo, protegendo-o contra certas doenças, reduzindo a depressão e fortificando os laços emocionais e familiares.”
Quando morava em Santana do Ipanema, costumava, à boca da noite, freqüentar o “senadinho” da Praça do Ginásio, hoje Praça Dr. Adelson Miranda. No trajeto entre a minha casa e a praça, encontrava o hoteleiro Leuzinger debruçado na balaustrada do seu estabelecimento, doidinho para prosear. Detinha-me, ali, por alguns minutos, comentando, ambos, assuntos da atualidade. Notava que ele me estimava, simpatizava comigo, talvez porque eu fora colega de ginásio do seu filho, o Professor e Doutor José Marques de Melo. Dizia-se somítico, falador, mas, na verdade, era homem trabalhador, cumpridor dos seus deveres e preocupado, sobretudo, com a educação dos filhos.
No Interior, os cumprimentos são praticados com simplicidade e com certa ingenuidade, independentemente do conhecimento ou não do destinatário da cortesia. Assim faziam os que por nós passavam na calçada do hotel naquela noite.
De minha parte, respondia a todos os cumprimentos sem a menor restrição. De parte do hoteleiro, entretanto, as palavras eram quase inaudíveis, incompreensíveis.
Ao avistar mais um transeunte, aproximei-me do hoteleiro para escutar, com alguma clareza, a resposta que ele daria ao “boa noite” do rapaz. Surpreso, escutei: “Boa noite, filho da puta!”
Ao perguntar-lhe se conhecia aquele jovem, o hoteleiro respondeu-me negativamente. Afinal, estava sempre presente em suas conversas o espírito crítico, irreverente, gozador.
Maceió, outubro de 2008.
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