Santana do Ipanema - sábado, 18 de novembro de 2017
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Djalma Carvalho
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13/11/2017
COLEGA, GOZADOR, POLIGLOTA
 
Djalma de Melo Carvalho
Membro da Academia Santanense, CiĂȘncias e Artes

O cronista, que registra o cotidiano, o fato, o relato curto, nĂŁo deixa de ser tambĂ©m um memorialista. Presente e passado tĂȘm relação com o tempo, com o cronolĂłgico, com relembranças, com reminiscĂȘncias, com registros histĂłricos.
Sobre o assunto, disse Joca Souza LeĂŁo, conhecido cronista pernambucano: “A crĂŽnica Ă© de leitura rĂĄpida, fugaz. Coloquial como uma conversa entre autor e leitor.”
Escolhi este gĂȘnero literĂĄrio para tratar, tambĂ©m, de gente que conheci no meu trabalho diĂĄrio no Banco do Brasil, e em minha cidade natal, Santana do Ipanema. SĂŁo eles os contadores de casos e causos, com a presença do pitoresco, do folclĂłrico, do engraçado, do fato bem-humorado, tentando, desse modo, aliviar o estresse do nosso tempo, as angĂșstias, as inquietaçÔes.
Disse o genial Charles Chaplin (1889-1977): “O dia mais desperdiçado na vida Ă© o dia em que nĂŁo rimos.” E completou Sigmund Freud (1856-1939), psicanalista austrĂ­aco: “O humor Ă© um dom precioso e raro.”
Conheci o colega Jason Calheiros Pinto lotado na agĂȘncia do Banco do Brasil em Palmeira dos Índios, Alagoas, lĂĄ pelos anos de 1961 e 1962, mais ou menos. Entre minha agĂȘncia e a dele existia uma relação institucional muito estreita, porque uma era supridora de numerĂĄrio da outra. Os colegas das duas agĂȘncias quase que se comunicavam semanalmente. Jason era muito querido no seu ambiente de trabalho e em sua cidade. Eram de sua autoria os monumentais trotes aplicados em colegas novatos.
Casado, exemplar pai de famĂ­lia. Nunca deixou de ser um gozador, um brincalhĂŁo incorrigĂ­vel.
Anos mais tarde, transferiu-se para Recife, onde ficou lotado no setor de CĂąmbio e Cacex, porque sabia inglĂȘs, francĂȘs, espanhol, latim, alĂ©m de especialista em lĂ­ngua portuguesa. “Ele sabe colocar a vĂ­rgula no devido lugar”, dizia-me Dr. JosĂ© Maria de Melo, entĂŁo presidente da Academia Alagoana de Letras.
No Recife, continuou a aplicar trotes em colegas conhecidos por bravatas funcionais e em lingĂŒĂ­stica, notadamente no referente Ă  gramĂĄtica ou ao uso de diferentes lĂ­nguas. NĂŁo deixou de aplicar rumoroso trote em um deles, que tentara desmerecer o orgulho alagoano. O colega escolhido, coitado, acabou por receber pelo correio carta de um remetente de Madrid ou de Salamanca, chamado Juan Manzana, solicitando-lhe, desesperadamente, que adquirisse exemplar de uma das obras de Pontes de Miranda, famoso jurista de Alagoas e mundialmente conhecido. O exemplar serviria, salvo engano, para concluir tese de doutorado. Escrita em espanhol clĂĄssico, a carta era falsa, como falso era o nome do missivista. Perguntei a Jason como ele havia chegado ao sobrenome Manzana. Resposta: “Copiei de uma caixa de maçã argentina, de um vendedor na calçada do banco.”
Jason era graduado em CiĂȘncias Sociais e JurĂ­dicas. Escrevia com acerto e desenvoltura. Ensinava portuguĂȘs a colegas e amigos. Estudioso, conhecia regras e filigranas do nosso idioma.
Reencontrei-o em MaceiĂł, lotado na agĂȘncia centro, para onde eu fora transferido para exercer cargo em comissĂŁo. Reatamos a antiga amizade, que durou atĂ© sua morte, que ocorreu muito tempo depois de aposentado. No ano de 2000, por exemplo, deu-me ele a honra de prefaciar meu livro intitulado Chuviscos de Prata (crĂŽnicas).
Trabalhando no mesmo andar que o meu, um dia chegou ele ao meu gabinete, dizendo-se “bostado”. Assustado, perguntei-lhe: “Aconteceu algo lá no banheiro?”
Respondeu-me, gozando da minha cara: “Não, chefe. Hoje estou mal-humorado!”
Ah, sim...

MaceiĂł, outubro de 2017.




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