Santana do Ipanema - sexta, 03 de setembro de 2010
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Clerisvaldo B. Chagas
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08/02/2010
VAI TIRAR LEITE?
 
VAI TIRAR LEITE?
(Clerisvaldo B. Chagas. 9.2.20100)

Com nomes de hotel, hospedaria ou pousada, os locais de acolhimento aos viajantes são bastante antigos. Basta lembrar como exemplo, a peregrinação de José e Maria à cidade de Belém. O casal procurava por uma hospedaria e as que encontravam não tinham vaga. Isto quer dizer que, mesmo numa cidade tão pequena, havia mais de uma casa de hospedagem.
No interior de Alagoas, como em todo o Brasil, a história de hotéis e similares não ficaram registradas especificamente. As fontes sobre o assunto são os mais velhos que quando morrem levam grande parte do conhecimento. Mesmo assim os mais velhos são fontes confiáveis porque não poucos foram testemunhas vivas e cheias de detalhes dos temas pesquisados.
Pelo menos nos tempos de vila em Santana do Ipanema, deve ter havido várias hospedarias. A mais antiga que conhecemos vem da década de 50 e trata-se do “Hotel Central” que funcionava à Avenida Barão do Rio Branco; defronte o final da Praça Cel. Manoel Rodrigues da Rocha. Sua fachada e estrutura faziam parte do casario tradicional de vila que iam desde o atual Museu Darras Noya à foz do riacho Camoxinga. O estilo da época trazia figuras e linhas geométricas em alto-relevo, significando prestígio de seus proprietários. As casas residenciais do quadro comercial santanense, como as da Avenida Barão do Rio Branco, também eram estreitas na frente, pegadas umas às outras e compridas até os fundos que terminavam nos cercados do Padre Bulhões. Daí a casa de morada ser adaptada como hotel. A dona do hotel era conhecida como “Maria Sabão”. Depois o “Hotel Central” subiu mais, indo para o 1º andar do casarão ao lado esquerdo da Matriz de Senhora Santana. Ali funcionou até a sua extinção. O “Hotel Central” era o preferido dos caixeiros-viajantes que faziam à praça de Santana. Herdando o nome “Sabão”, surgiu “Paulo Sabão” – bancário e ótimo professor de Matemática – e “Carlos Sabão”, comerciante da cidade. Acusamos a existência paralela de uma hospedaria (também chamada pensão) nas imediações da Rua Ministro José Américo, da proprietária Rosa. Sobre ela, um viajante presepeiro costumava cantarolar:

“Como é que pode
Seu Mané
Como é que pode
Na pensão de dona Rosa
Só tem bode
Só tem bode...”

Conhecemos também o “Hotel Santanense” que funcionava à antiga Praça da Bandeira, na esquina, quase defronte a igrejinha de Nossa Senhora Assunção. Era pertencente à Dona Beatriz, pessoa respeitável do Bairro Monumento. Depois mudou a direção, tomando conta a senhora Elsa, gaúcha casada com gente da terra. Fechou. Na entrada de Santana, de quem vem de Maceió, foi instalado o mais recente dos três, o “Hotel Avenida”. Era proprietário o senhor Leusínger.
Hotel é uma coisa abençoada por acolher o estrangeiro. Por isso deve ser admirado e respeitado como extensão da própria casa. E para encerrar sobre o assunto em Santana, contemos um dos muitos casos engraçados entre o hospedeiro Leusíger e os seus hóspedes. No sertão a ordenha é realizada entre quatro e cinco horas da manhã. Desconfiado de que um dos seus hóspedes planejava deixar o hotel sem pagar, Leusínger ficou em alerta. Às quatro da madrugada, o sujeito tentava escapulir através da janela. Qual não foi a surpresa ao pegar a mala! Seu Leusínger chegou de mansinho e indagou: “Bom dia, meu prezado, VAI TIRAR LEITE?




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